| Viver o sacramento do matrimônio necessita de diálogo. Nele, o casal desvenda o chamado “jardim secreto”, que ajuda na correção fraterna e fortalece a vida a dois |
Jorge Abdo Muitos
casais, inclusive nós que invocamos diariamente o Espírito
Santo e rezamos de mãos dadas a Oração Conjulgal,
recitando o Magnificat, tinham a falsa idéia de que amar era
fácil. Características
do amor—São Paulo ensina, também, que “o
amor é paciente e prestativo, não se irrita nem guarda
rancor. Tudo desculpa e tudo suporta”. Aos romanos recomendou
perseverança na oração. O evangelista Mateus nos
faz recordar o texto, já lido centenas de vezes nas cerimônias
nupciais: “O matrimônio deve ser comparado àquela
casa construída sobre a rocha, a qual resistiu à chuva
e à fúria dos vendavais e não ruiu”. O padre
Henri Caffarel, fundador do Movimento de Casais por uma Espiritualidade
Conjulgal, denominou esse diálogo de “Dever de Sentar-se”.
Durante essa parada, e a sós, o casal desvenda o chamado “jardim
secreto”, espécie de segredo que um ou ambos cônjuges
guardam para si, sem que o outro saiba. Vive triste, remoendo magoas
sem coragem de revelá-las ao outro. Prefere sofrer sozinho suas
frustrações e insucessos profissionais. Espelho d’água — O amor fonte de felicidade, e deve ser constantemente renovado e revigorado, desde a data do matrimônio até a data que a morte os separe. Não existe árvore que o não tenha balançado, nem casal que não tenha um dia brigado. Onde reinou sempre o amor e a ternura, sem motivos aparentes, repentinamente, certo dia um ou ambos amanhecem mal-humorados. Essa mudança de comportamento pode ser provocada, dizem os cientistas, por distúrbios físico-psíquicos. Do coração vem a depressão por motivos que a própria razão desconhece. Haverá um amor sempre renovado, se conhecerem um ao outro a cada instante e se refletirem sobre a vida um do outro, assim, como o lago que reflete o céu, assemelhando-o a um espelho d’água. O lago reproduz o jogo de luzes do sol sobre as nuvens em movimento, a sombra das árvores ribeirinhas, ora estáticas outras vezes balançando ao sabor do vento, a revoada de pássaros, a bela alvorada ou o maravilhoso pôr-do-sol. O lago não reflete ou dificilmente reprisa a paisagem que o céu lhe emprestou ontem. “Jorge Abdo é advogado e membro das equipes de casais da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, em Jaú (SP). fonte: revista Família Cristã |